São 19h04. O vigilante da noite não chegou, o do dia já está com a mochila nas costas e o telefone do supervisor ainda não tocou. Daqui a pouco vai tocar, e se for o síndico do outro lado da linha, a empresa já perdeu a primeira hora.

Falta acontece em toda operação. O que separa uma falta de um problema com o cliente é o que a empresa faz nos primeiros minutos. Este roteiro é para ser lido antes da próxima.

Por que a primeira hora decide

O cliente não acompanha a escala. Ele percebe o posto vazio, a portaria sem ninguém, a ronda que não passou. Se ele descobre antes da empresa, a conversa deixa de ser sobre uma falta e vira sobre confiança.

Na primeira hora ainda dá para resolver sem que ninguém perceba: a cobertura chega, o cliente é avisado com nome e horário, a falta fica registrada. Depois disso, cada minuto é um minuto de posto aberto.

Minuto a minuto

  1. 19:00

    A entrada não aconteceu

    Ligue para o funcionário. Se não atender, mande mensagem e ligue de novo. Pergunte também a quem está saindo se ele avisou alguma coisa.

  2. 19:10

    Sem resposta, chame a cobertura

    Não espere a pessoa aparecer para decidir. Comece a chamar quem pode cobrir agora, na ordem da seção abaixo. Se ela chegar no meio do caminho, você desmarca.

  3. 19:20

    Avise o cliente

    Antes que ele perceba. Diga o que houve, quem vai chegar e a que horas. Uma frase basta: “O Carlos teve um imprevisto, o Marcos chega às 19h50.”

  4. 19:50

    A cobertura chegou

    Confirme a chegada e libere quem estava segurando o posto. Anote a hora real em que o posto ficou coberto.

  5. Amanhã

    Registre e converse

    Lance a falta, o extra de quem cobriu e o motivo. Depois, fale com o funcionário que faltou: uma falta é imprevisto, três é padrão.

Quem chamar para cobrir

A ordem importa, porque cada opção custa diferente para a empresa e para o cliente.

  1. A reserva. É para isso que ela existe. Se a sua empresa não tem reserva, este é o primeiro sinal de que a escala está apertada demais.
  2. Quem conhece o posto e está de folga. Alguém que já trabalhou naquele cliente sabe onde fica a chave, quem pode entrar e o que o síndico espera. Vale mais do que alguém mais perto que nunca pisou lá.
  3. Remanejar de outro posto. Só funciona se o outro posto tiver gente sobrando. Tirar alguém de um posto para cobrir outro só muda o buraco de lugar.
  4. Extra pago. Resolve, mas custa. Se ele vira rotina, a reserva está pequena.

Depois que o turno acaba

O posto foi coberto, mas a falta ainda não terminou. Três coisas precisam ficar registradas no dia, não no fim do mês:

  • A falta, com o motivo. Se vier atestado, ela vira afastamento.
  • O extra de quem cobriu, com posto, data e horário, para pagar certo.
  • O horário real em que o posto ficou coberto. Se o contrato com o cliente prevê desconto por posto descoberto, esse é o número que ele vai pedir.

Como ter menos postos descobertos

Não existe operação sem falta. Existe operação que sabe da falta antes. Quatro hábitos ajudam:

  • Confirmar na véspera os plantões da noite e do fim de semana, que são os que mais falham.
  • Manter uma lista de quem conhece cada cliente, atualizada. Na hora da falta, ninguém deveria precisar lembrar.
  • Dimensionar a reserva pela conta, não pelo histórico do mês passado. Férias, afastamentos e faltas somam mais do que parece.
  • Olhar para quem falta. Falta que se repete no mesmo dia da semana tem motivo, e o motivo costuma ter solução.